Interações entre empresas e universidades

Todo o conhecimento necessário para desenvolver novas tecnologias está nos livros. Por livros entende-se, além dos livros é claro, os papers e demais bibliografias científicas. Seja uma patente, ou simplesmente uma melhoria de processo e/ou produto, será necessário passar pelo crivo de alguma revisão bibliográfica. Jamais se avançou sem metodologia e referências anteriores. Então para se ter um desenvolvimento, antes precisa-se ter algo já estabelecido, para depois poder melhorá-lo. Portanto, esse algo já estabelecido é a primeira das revisões a serem feitas: alguém já o melhorou? Se sim, como, qual método? Poderia ser repetido esse mesmo método, mas com algo agregado, algo diferente, que melhore o aspecto, ou o fluxo, ou a resistência a oxidação, ou…? E aqui se percebe que precisarei buscar as referências, os papers, os livros.

As empresas tendem a serem especialistas naquele processo em que elas trabalham. Os responsáveis pelos processos são os conhecedores, pois buscaram soluções, se debruçaram sobre as possíveis resoluções, já leram sobre, já erraram e por fim avançaram. Prova disso é o salário pago aos verdadeiros resolvedores de problemas, que caso venham a ir para outra empresa, levam consigo todo conhecimento agregado. Para resolver os problemas da outra empresa, não serão exatamente os mesmos cominhos e respostas da empresa anterior. Mas, a metodologia para se buscar, essa sim será semelhante, senão a mesma utilizada em outras experiências. Durante a busca, algumas perguntas serão idênticas as experiências anteriores e assim fica mais fácil para aquele profissional que já experimentou.

Da mesma forma, as instituições de ensino e pesquisa, as chamadas academias, tendem a serem especialistas em buscar respostas. Estas, são buscadas exaustivamente nos livros, nos papers, normas e onde mais for necessário. Todavia, existem vários tipos de perguntas, como por exemplo: Qual a melhor forma de preencher uma peça fundida? Para se obter a melhor resposta, tem que ser feita a melhor pergunta, ou uma série de perguntas, que vão se encaixando até se chegar na pergunta original, mais ampla. No meio do caminho, algumas respostas podem dar margem para outras perguntas. E aqui se repete a questão do conhecimento agregado, mas nesse caso em buscar e achar respostas. As academias não são donas da verdade, por isso precisam da competência dos profissionais conhecedores para humildemente trocarem experiências para efetivamente atingir a resposta que sana. É importante mencionar que quando se tratam de perguntas, estas irão exigir alguma prática, algum teste, alguma aferição e, nesse caso, a academia também está disposta a desenvolver o ensaio necessário, fazer testes, experimentar em pequena escala para depois levar para a grande escala na empresa, na chamada transferência de tecnologia.

Se a empresa é especialista naquele produto ou processo até aquele ponto e quer ir além, poderá trazer seu conhecimento e contar com a academia na busca pelas perguntas corretas, visto que esta é especialista em achar as respostas para gerar novos conhecimentos. Uma cooperação série entre ambas pode vir a ser uma sinergia de ganha-ganha. Então, que possamos fazer mais interações entre empresas e academia na busca por inovações, aplicações de conceitos e disrupções.

Prof. Dr. Cleber R. de Lima Lessa
Docente associado no
Instituto Federal do Rio Grande do Sul
campus Caxias do Sul

Segue abaixo o link para uma pesquisa inédita, que está sendo realizada  para o levantamento de informações junto às universidades.

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